Quem foi ao Royal Plaza Shopping neste fim de semana viu de perto algo que, desde a última sexta-feira, é polêmica em Santa Maria, principalmente nas redes sociais. Para evitar os rolezinhos, na entrada principal e no estacionamento, seguranças fazem uma triagem de quem aparenta ter menos de 18 anos e pedem sua identificação. Por mais que garanta ter mais de 17 anos, quem não mostrar o documento, não entra. A decisão do shopping, tomada depois da combinação de um rolezinho pelo Facebook no local, não só divide opiniões como está mudando a rotina de muitos dos frequentadores.

A avaliação é feita no olho. Quem aparenta ter entre 12 e 17 anos é parado. A entrada só é permitida se houver um adulto responsável (é preciso que seja um dos pais ou alguém que tenha um documento registrado em cartório), e o adolescente tiver um documento de identificação.
Se foi nas redes sociais que os rolezinhos começaram a ser organizados, em São Paulo, em janeiro (veja quadro), também foi nelas que a polêmica sobre a restrição da entrada no Royal tomou forma. As opiniões estão divididas. Mesmo entre os que têm a faixa etária atingida pela medida, as opiniões se dividem.
No domingo, um dos adolescentes barrado foi Julian Martini, 13 anos. A mãe dele estava dentro do shopping, com seus documentos. Para poder entrar, ele pediu que ela fosse buscá-lo.
- A medida é boa porque a gente se sente mais seguro - afirma o jovem.
A opinião não é a mesma de Alisson Silva, 16 anos. Mesmo acompanhado de um amigo de 18 anos, ele não foi autorizado a entrar.
- Não sabia da medida, por isso não trouxe o documento. O que eles estão fazendo está errado, deveriam era monitorar o fluxo de pessoas e as aglomerações. Já não há muitos pontos de encontro para os jovens na cidade. Vamos nos reunir em outros locais. Hoje (domingo), vamos para o Santa Maria - afirma o rapaz.
Especialistas são contrários à medida
A cientista social e pós-graduanda em Segurança Pública Suelen Aires Gonçalves, 27 anos, que trabalhou em duas pesquisas sobre a violência em Santa Maria, considera que o local está ferindo o direito de ir e vir das pessoas. De acordo com ela, os shoppings acabaram se tornando um ícone para a juventude:
- Os shoppings são o templo do consumo e quando se faz um recorte de faixa etária como esse, acaba se fazendo um recorte de classe. A medida acaba se tornando preconceituosa, me parece uma questão de discriminação social, porque, afinal, será que os jovens de classe mais alta que moram nas proximidades do local também serão impedidos de entrar? Será que essa peneira vai funcionar?
O coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Fadisma, Eduardo Pazinato, diz que embora o espaço do Royal não seja público, a medida pode ser considerada abusiva porque o local funciona como um ponto de encontro e troca de experiências.
- O que se nota é um sentimento de medo e pessoas tentando se acercar de medidas que preservem os locais. Mas as medidas parecem abusivas e violam direitos fundamentais, como o de ir e vir, afinal, o shopping existe para a socialização e o consumo - defende o especialista em Direito.
Sem um prazo final
Na visão do Royal Plaza Shopping, como o local é um estabelecimento particular, pode criar as suas regras de acesso. Tanto que uma placa com a restrição à entrada dos jovens foi afixada perto da porta principal. A administração também nega que exista preconceito e garante que todos, independentemente de vestimenta, cor da pele ou classe social são parados quando aparentam ter menos "